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Curitiba | Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Entre as mais valiosas contribuições que a ciência trouxe à atualidade, nenhuma se iguala aos novos conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro, através principalmente da compreensão dos processos neurológicos e neuropsicológicos envolvidos na aprendizagem e nas suas dificuldades.
Enquanto por décadas se atribuiu o fracasso escolar a fatores como política pública educacional, nível socioeconômico das famílias envolvidas, demandas relacionadas ao potencial e a motivação da criança, cuidados familiares deficientes, questões emocionais, métodos pedagógicos erroneamente priorizados por esta e aquela escola, e a capacidade dos profissionais para ensinarem mais e melhor, pouco se avançou no diagnóstico e na diminuição do impacto que trazem as dificuldades e transtornos de aprendizagem na vida de cerca de 10% dos nossos alunos.
Foi na década de 90, proclamada nos E.U.A. como "A Década do Cérebro", que tiveram lugar as grandes investigações neurocientíficas, as quais trouxeram a publico, os estudos sobre a percepção, a atenção e a memória, e de forma inovadora, como estes conhecimentos poderiam ser aplicados para melhor compreendermos o processo da aprendizagem.
Embora a ideia de que a investigação neurocientífica possa colaborar com a teoria e prática do campo educacional já tenha mais de vinte anos, os mais atuais meios de investigação, disponíveis especialmente nos países desenvolvidos, é que determinaram o aparecimento do interesse redobrado que hoje se verifica no estudo da neuroaprendizagem de modo que a neurociência e a educação estão cada vez mais entrelaçadas.
E a razão dessa aproximação é simples: o número de crianças, jovens e de adultos cuja vida é negativamente perturbada pelas dificuldades na sua aprendizagem acadêmica, determinou a necessidade de se encontrarem explicações mais precisas para as causas desses problemas, assim como soluções práticas que atendessem às peculiaridades presentes no processo de aprender de todos alunos, especialmente diante das exigências trazidas pela Inclusão Escolar.
Hoje, é praticamente corriqueiro o acesso a referências fidedignas sobre o cérebro na literatura da educação e áreas afins. O resultado das pesquisas sobre os processos envolvidos na aquisição do conhecimento das crianças portadoras de dificuldades escolares é um aporte valioso na tentativa de trazer para a sala de aula melhores e mais eficazes condições de trabalho escolar.
Adquirir novos conhecimentos e comportamentos envolve uma complexidade de fatores interligados e dependentes entre si e nenhum pode ser desconsiderado, pois a prática demonstra que há uma confluência de causas tanto primárias e secundárias, que determinam as condições de aprender de cada aluno em diferentes momentos de seu desenvolvimento.
Entretanto, a partir do momento em que também consideramos seriamente os fatores neurológicos e neurocientíficos como fontes de aproximação ao conhecimento sobre a maneira como o cérebro aprende, e estes nos apresentam indicadores da forma de como potencializar a aprendizagem escolar, nos colocamos enquanto educadores, em posição de fazer uso, de operacionalizar tais conhecimentos científicos em favor de uma ação educativa mais direcionada, muito especialmente nos casos onde os transtornos de aprendizagem se fazem presentes.
Sem desconsiderar os conhecimentos das diferentes áreas que se dedicam ao estudo da aprendizagem e suas desabilidades, mas unindo-se a elas, a neuroaprendizagem constitui um instrumento diferencial para os profissionais que trabalham com a aquisição de novos conhecimentos e comportamentos, quer na escola, quer na clínica e não pode ser divorciada dos outros espaços onde o aprender é indispensável, seja nas empresas, nos hospitais, entre outros.
“Meu filho não mente”...será?
É sem dúvida muito importante que os pais confiem nos filhos e demonstrem possuir esse sentimento em relação a eles. Afinal se os próprios familiares não depositarem sua confiança em quem criaram, então, pouca chance terão essas crianças e jovens de acreditarem em si mesmos, um dia.
É certo também, que ninguém gosta de admitir que o filho mente, e por isso é freqüente que os pais fiquem muito desapontados quando percebem que este não disse a verdade ou toda a verdade. Alguns se protegem dessa frustração dizendo que a criança é muito criativa, inventiva, cheio de imaginação. Mas admitir que o filho seja mentiroso é muito difícil, pelo menos publicamente, para a grande maioria dos pais.
Entretanto, há alguns fatos que todos os familiares devem saber para não passarem por ingênuos e nem serem usados pelos filhos em situações enganosas, nas quais a criança e o jovem sendo sua própria vítima.
Em primeiro lugar, é bom lembrar que mentir não é sempre o contrario de dizer a verdade. Mentir é distorcer propositadamente ou não os fatos, quer porque a idade cronológica não permite que a criança distinga perfeitamente a sua fantasia mental e a realidade do mundo externo, quer por que tem medo da represália paterna ou porque quer ostentar algo perante os demais.
A razão pela qual não se considera mentira o que as crianças com menos de 5 anos contam é que a imaginação infantil tem forte ligação com as emoções que a realidade desperta nela e elas reagem aos sentimentos falando coisas que nem sempre tem relação com o ocorrido. Confundem a fantasia interna com os fatos da realidade e não tem ainda controle sobre isso.
É por volta dos 6 anos, que a fantasia infantil começa a dar lugar a um pensamento mais concreto, e cada vez mais próximo do pensamento do adulto e começam a ter condições de distinguir de forma gradativa a fantasia do que é real.
Em segundo lugar, há crianças que mentem buscando compensar alguma coisa que acreditam ter a menos do que os outros. É quando inventam, por exemplo, que a família tem muito dinheiro, que foi o melhor da classe em tal campeonato, que tem vários irmãos e, na realidade, nada disso acontece.
Também, se a criança não teve acesso a modelos familiares bem delineados, em relação a, por exemplo, falar sempre coisas que “combinam” com a realidade, ou seja, pais que não enfatizam a verdade, quer por serem muito permissivos ou até darem modelos contraditórios de comportamento, ela aprenderá que mentir não é um problema, mas uma forma alternativa de evitar enfrentar situações desagradáveis ou problemáticas. É o caso de sugerir ao filho que diga ao professor que ficou doente e por isso não fez a lição quando na verdade não fez porque não quis ou foi passear, etc. Essa é a chamada de “mentira utilitária”, onde há uma vantagem a curto prazo em se enganar os outros.
Cabe aos familiares fazer com que as crianças percebam as vantagens de conquistar a sua confiança, percebam que é bom falar sempre a verdade, mostrando o quanto se é valorizado socialmente por essa atitude. Com carinho, equilíbrio, diálogo e exemplos se ensina que dizer a verdade é o certo, e que a fantasia também tem seu lugar reservado, mas que o real não pode ser omitido. A intolerância e pouca compreensão do adulto, em pouco ajudam nesse assunto, pois castigar a criança por ter mentido não resolve a situação nem evita que ela se repita. O melhor é chamar a atenção do pequeno que mente, mas não insistir ou exagerar na importância do assunto.
Admitir que a criança pode estar mentindo e procurar ir atrás das razões desse comportamento, pode trazer grandes benefícios à sua formação e é algo que os pais não podem deixar de fazer, por mais que se sintam tentados a defender sua criança. Na verdade, protege o filho, quem o ensina a viver com a sua realidade, seus recursos e incentiva que crie novos meios de vencer as adversidades, as dificuldades, se tornando forte, coisa que a mentira não faz em idade alguma.
Pedagoga, especialista em Educação Especial e Psicopedagogia.
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