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Curitiba | Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
O sistema educacional brasileiro – e mundial – passa por quatro crises distintas que, a cada dia, tornam-se mais intensas. Tais crises refletem o cenário mundial: globalização, crescente urbanização, migrações, diferenças culturais – mais, e, principalmente, num país como o Brasil, onde a maior parte da população é formada por grupos miscigenados -, além das novas tecnologias de informação.
Porém, de que forma esses fatores afetam a educação no Brasil e no mundo? Como o próprio cenário mundial interfere de maneira muitas vezes negativa no cenário educacional?
De acordo com o Relatório da Pesquisa sobre o Sucesso e Fracasso Escolar no Ensino Fundamental, desenvolvido pela Unesco/Brasil, com apoio do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, é possível observar que, há pelo menos 60 anos, pouco tem sido feito para mudar o quadro de altas taxas de reprovação e evasão escolar.
Logo, se tal perspectiva se mantém por tanto tempo, precisamos contextualizá-la historicamente a fim de abolirmos a ideia de que essas problemáticas são naturais e, assim, não devem ser questionadas. Muito além do processo pedagógico, o fracasso escolar tem raízes econômicas e políticas que estão inseridas na história de cada aluno e que precisam ser levadas em conta. Contribuem para isso, entre outros fatores, o racismo ainda presente na sociedade, inclusive nas escolas; a desigualdade social e a ausência de habilidades sociais.
As mudanças da sociedade moderna e a transformação da família configuram o aluno com um perfil que se difere de gerações passadas. Envolver e motivar o aluno do século 21 – dinâmico, mas carente de habilidades sociais devido às transformações da sociedade atual e do perfil da família moderna – envolve não somente a atualização da prática pedagógica e a formação do professor, mas também a escolha assertiva da metodologia a ser aplicada na sala de aula.
A metodologia de ensino da Aprendizagem Sistêmica foi desenvolvida sob evidências científicas de que dois tipos de habilidades têm enorme influência sobre o sucesso pessoal e profissional de uma pessoa. O primeiro grupo de habilidades refere-se às capacidades cognitivas, aquelas relacionadas ao QI. Igualmente relevante, o segundo grupo apresenta habilidades emocionais, relacionadas à motivação e ao convívio social. Embora, por muitos, o segundo grupo seja considerado menos importante, no programa da Aprendizagem Sistêmica ele é visto de forma tão relevante quanto o primeiro.
Há mais de trinta anos, a Aprendizagem Sistêmica vem transformando a educação e a vida de muitos alunos ao redor do mundo. Suas experiências de sucesso comprovam que o desenvolvimento pleno dos alunos atinge pontualmente o desempenho escolar. Atualmente, o programa é adotado em países de diversos continentes, como Índia, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, México, China e Austrália.
Consultora de educação da Vitae Futurekids
O ensino sistêmico foi desenvolvido sob a égide da revolução industrial e dos seus desdobramentos, em especial, a produção em série de bens de consumo.
O grande erro histórico é: Não podemos descartar alunos "com defeitos", pois nosso controle de qualidade não é exato, uma vez que não avaliamos produtos e sim pessoas...
Aprovar ou reprovar um aluno perpassa pelos processos educativos que hora temos em mãos e que, honestamente, estão longe de ser eficazes.
A educação escolar não se mensura, antes tenta-se mensurá-la. No entanto, por mais que seja planejada e bem aplicada, ainda assim é voltada para seres humanos e não produtos.
Assim, penso que a educação sistêmica é de fundamental importância nos tempos modernos. Entretanto, lembrando Chaplin, os tempos são modernos porém os homens são ainda homens, não máquinas. Sentem, antes de pensar e pensam antes de agir e só aprendem a pensar com as experiências de vida intermediadas por um tutor que o ajude a elaborar idéias sobre os problemas surgidos. Assim, a reprovação um dia e com justiça, passará a ser inócua.
Muito interessante o tema.É preciso que se encaminhe aos deputados e senadores que estão pensando em permitir que jovens aos 16 anos sejam tratados como adultos só porque conseguiram passar no vestibular.Estão confundindo as coisas e não se dão conta. Depois o alto índice de trocas de cursos e evasões das faculdades e envolvimentos com bebidas e drogas.
Há um equívoco nesse texto: as taxas de reprovação atuais são baixíssimas. Na minha experiência como professor, atualmente menos de um quinto dos alunos que deveriam repetir de fato são reprovados. O professor não se encontra em condições legais e logísticas de reprovar um aluno efetivamente. Há todo um aparato de aprovação "sem mérito" que atinge quase 70% dos "educandos". Portanto, o problema é diferente e mais grave. O problema é o desamparo do professor que submetida a rotinas estafantes e salários pífios, encontra-se desamparado para fazer valer as regras do jogo da aprendizagem.
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