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Curitiba | Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Uma das questões que mais afligem os pais de adolescentes é a gravidez precoce. Essa preocupação é compreensível sob todos os pontos de vista: o organismo da jovem não está pronto para a maternidade, que também não está amadurecido psicologicamente para assumir uma responsabilidade desse porte. Além disso, ela não é financeiramente autônoma, não tem profissão e nem ao menos completou seus estudos.
Geralmente não tem um relacionamento afetivo estável, não consegue manter sozinha uma vida organizada e pela própria situação criada, percebe-se que não sabe se cuidar, colocando a própria vida em risco por não ser precavida.
Calcula-se hoje que cerca de 20% da população brasileira seja de adolescentes (jovens entre 10 a 19 anos), e que nesta faixa etária a incidência da gravidez esteja entre 14 e 22%,o que é um número preocupante.
Mas, se a nossa adolescente está grávida, agora é a vez dos adultos da família tomarem as medidas para que os problemas não piorem, não se tornem ainda mais complexos e traumáticos para todos.
Convenhamos que receber a notícia, que normalmente traz tanta alegria, nesse caso surpreende e assusta, pois não raro se vê meninas de menos de quinze anos, acreditando que ter um bebê é como se vê nas novelas...e seus pais sabem que não é assim! Mas brigar, repreender, bater, expulsar de casa, está fora de cogitação: a solução é sentar, conversar e tentar saber o máximo possível para ajudar, orientar e diminuir o impacto que essa menina terá na vida a partir de agora.
A começar pelo básico: visita a um médico ginecologista é fundamental e urgente. Como foram as condições em que essa jovem engravidou devem ser examinadas, assim como suas condições de saúde para enfrentar a gestação. Por mais forte que seja e mais saudável, exames serão necessários assim como um pré-natal cuidadoso. A gravidez na adolescência envolve riscos: maior incidência de anemia materna, pressão alta, parto complicado, infecção urinária, prematuridade do bebê, infecções pós-parto, etc.
Em seguida, uma conversa com a filha e se possível com o pai do bebê. Chamar os dois para suas responsabilidades em relação ao filho que vai nascer é indispensável: não cabe aos futuros avós assumirem essa maternidade/paternidade.
Aliás, as duas famílias devem se conhecer e conversarem sobre os rumos que devem ser dados. De toda forma o que é básico é se lembrarem de que esta é uma situação que ocorreu por falta de responsabilidade desses jovens, falta de vivencia das conseqüências de seus atos em situações anteriores e não é interessante repetir os mesmos erros.
Deixem seus filhos, tanto a jovem grávida, quanto o pai do bebê, aproveitarem dessa situação para crescerem e amadurecerem, buscando soluções de como farão para criarem seu filho. Ajudem com orientações, mas deixem que eles procurem as soluções. Em geral adolescentes estudam meio período: podem, portanto buscar trabalho de meio período e se revezar no cuidado com o filho. Essa criança precisa dos pais como todas as crianças. E precisa de avós, mas no papel de avós e não de pais “postiços”, como vemos tantos por aí. Sinalizem claramente que estão dispostos a ajudar, mas não a fazer por eles o que é de sua responsabilidade.
Um último lembrete: continuar os estudos é fundamental, mesmo porque se a jovem parar, depois que tiver o bebê será difícil retornar à escola. No Brasil, apenas 30% de adolescentes que tinham engravidado voltaram e concluíram os estudos. E dos estudos depende o futuro profissional e entre tantas responsabilidades, essa não pode nunca ser esquecida.
E que fique aqui um alerta a quem tem filhas: esclarecimento sobre sexo nunca é demais, pois o número de jovens grávidas na adolescência tem aumentado e a faixa etária das gestantes diminuído.
Seja porque a mídia exagera na erotização do corpo, ou porque a atividade sexual na adolescência vem se iniciando cada vez mais precocemente, as conseqüências indesejáveis como o aumento da frequência de doenças sexualmente transmissíveis (DST), a AIDS e a gravidez indesejada nessa faixa etária, vem crescendo e trazendo problemas muitas vezes trágicos e insolúveis.
Pedagoga, especialista em Educação Especial e Psicopedagogia.
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