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Escolas brasileiras ensinam a lidar com as emoções

Atentas à nova Base Nacional Comum Curricular, divulgada pelo MEC, escolas incluem habilidades socioemocionais no currículo. Metodologia desenvolvida por médico psiquiatra ajuda a desenvolver competências como resiliência, autocontrole, empatia, respeito e habilidades sociais

A versão final da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê a inclusão das habilidades socioemocionais no currículo escolar. A preocupação em desenvolver habilidades como empreendedorismo, empatia e responsabilidade estão presentes no texto - das 10 competências básicas propostas pela BNCC, 5 são de ordem socioemocional.

Antes mesmo da divulgação da nova Base pelo MEC, algumas escolas já estão tornando o estudo das habilidades como parte do ensino básico. Além de ensinarem disciplinas como português, matemática e física, por exemplo, elas terão de prepará-los a desenvolver competências como resiliência, autocontrole, empatia, respeito e habilidades sociais.

Com o auxílio de materiais didáticos específicos para o tema, não são somente os alunos que aprendem sobre o assunto: os professores também passam por um período de formação para entender melhor como funciona essa nova didática, e de que forma ela deve ser abordada.

Para Silvia Russo, diretora pedagógica do Colégio Assunção, na capital paulista, as habilidades socioemocionais, até então, não possuíam a devida atenção. “A partir de agora, vamos focar em uma parte pouco conversada entre os profissionais do ramo”. Silvia acredita que debater essa temática com os estudantes e os professores propiciará uma maior qualidade de ensino, além de tratar da questão com maior sensibilidade. “Iremos não só melhorar a qualidade do colégio, como também enxergar o aluno com uma visão mais humanizada”, afirma. Para 2017, a escola adotou o Programa Semente, metodologia que está oferecendo às escolas brasileiras a possibilidade de preparar seus alunos a lidarem com as emoções.

O Programa foi desenvolvido pelo médico psiquiatra Celso Lopes de Souza junto com um grupo de educadores e com base no Casel, principal centro de estudos da aprendizagem socioemocional do mundo. O Casel reuniu em 2011 diversos pesquisadores ao redor do mundo para avaliar o impacto de programas de habilidades socioemocionais na vida de 270 mil estudantes. Os resultados de boas práticas incidiram não só na diminuição da possibilidade de surgimento de transtornos psiquiátricos, como também, na melhora em média de 11% no desempenho acadêmico.

Na prática - Algumas instituições já desenvolviam estudos sobre habilidades e aderir ao material didático foi uma forma de concretizar os planos, como é o caso do Colégio Anglo São José. Oscar Gonçalves Jr., supervisor pedagógico, conta que já estava familiarizado com o assunto. “Trabalhamos com habilidades socioemocionais há mais de um ano, e acredito que a demanda vai nos auxiliar muito”. Mesmo conhecendo o tema, Oscar enfatiza que ainda é recente no ramo educacional, e que o colégio não vai parar por aí. “Esse estudo ainda é novidade. Mas vamos além, pois estamos visando estudar também a comunicação pessoal dos alunos, a análise de suas atitudes pessoais”, afirma.

Numa aula sobre autoconhecimento e autocontrole do Programa Semente, por exemplo, o aluno é incentivado a refletir sobre suas emoções e se conhecer melhor. De forma estruturada, o programa trabalha os cinco domínios: autoconhecimento, autocontrole, empatia, tomada de decisões responsáveis e habilidades sociais. O controle da ansiedade, por exemplo, é fomentado com estratégias que auxiliam os estudantes a enfrentarem situações, procurando reconhecer os desafios e as capacidades de forma realista e sem distorções.

“Saber reconhecer emoções, relacionando-as com os pensamentos que as geram e entendendo como tudo isso influencia o comportamento permite que cada um compreenda melhor as próprias limitações e conheça suas fortalezas, o que aumenta a confiança, o otimismo e a autoestima”, afirma Celso Lopes de Souza. Para isso, o programa ensina ao aluno estratégias para identificar e questionar os pensamentos, especialmente quando há uma emoção desconfortável.

Segundo o médico psiquiatra, em uma época onde o aluno se encontra cheio de informações instantâneas, mas sem saber como lidar corretamente com suas emoções e de que forma elas influenciam no seu futuro, é imprescindível que os colégios tenham foco também nos valores sociais e nas questões interpessoais.

“Os pais e as escolas precisam incorporar que as emoções importam. Do mesmo jeito que ensinamos as crianças a nadar e andar de bicicleta, devemos ensiná-las a lidar com suas emoções”, conclui.

Sobre o Programa Semente  – Com uma abordagem moderna e inovadora, o Programa Semente está presente em escolas brasileiras contribuindo para o desenvolvimento socioemocional de alunos e educadores. A partir de um material escrito por educadores, médicos e psicólogos, sua metodologia possibilita que sejam trabalhadas em sala de aula questões como sociabilidade, autoconhecimento, autocontrole, empatia e decisões responsáveis, entre outras habilidades, cada vez mais presentes no mundo do trabalho e nas principais avaliações internacionais de educação, como o PISA. Desta forma, o Programa Semente contribui para a alfabetização emocional.

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Coluna 10

Artigo do Dia

O brincar como cultura



Autor(a):

Kelli Darliane Rodrigues da Silva