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Ana Valéria Araújo - informacoes@fundodireitoshumanos.org.br

Coordenadora Executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

Desafios da filantropia para justiça social

Para eliminar as causas da injustiça social é preciso lidar com a cultura da desigualdade que, no Brasil, forma o nosso olhar sobre o outro, moldando um racismo estrutural. É o que justifica a exclusão e fornece argumentos para o discurso que ampara o fato de uns poderem ter mais direitos do que os demais. Isso subsiste de forma fortíssima em países como o Brasil, onde a herança da escravidão está longe, muito longe, de ser erradicada.

Como fazer isso? Como contribuir, por exemplo, para acabar de vez com a herança da escravidão? É preciso estabelecer novas narrativas de comunicação para conquistar corações e mentes em favor da eliminação da cultura da desigualdade e do racismo, contribuindo para gerar uma indignação coletiva contra as opressões e reforçando o campo da filantropia para a justiça social. Penso inclusive que essa ação de comunicação precisa envolver todos os atores da filantropia de justiça social, numa ação conjunta que tenha a comunicação da relevância do trabalho da sociedade civil como estratégia central.

A ideia de filantropia para justiça social é ainda recente no Brasil. Há um longo caminho pela frente para conscientizar a população também sobre a importância dos fundos e fundações independentes, que trabalham para dar visibilidade e empoderar às organizações e pessoas que atuam na base social. Engajar pessoas passa por mostrar a elas que, ao apoiar organizações da sociedade civil, fortalecemos a democracia e beneficiamos o país, pois se amplia o conjunto de pessoas que passam a ter direitos, essência de uma sociedade mais igualitária.

Os fundos e fundações, representantes da filantropia de justiça social, valorizam uma governança inclusiva, transparência absoluta de suas práticas e contas, além de critérios públicos e imparciais para seleção dos projetos que apoiam. Esses fundos e fundações não têm projetos próprios, mas incentivam, por meio de recursos financeiros e/ou atividades de formação, projetos de organizações e indivíduos que estão na fronteira das violações de direitos humanos.

São inegáveis os avanços nas conquistas de direitos a partir de 1988, quando o Brasil passou a contar com uma nova Constituição. Podem ser citados a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, a criação da Lei Maria da Penha de defesa dos direitos das mulheres, a demarcação das terras indígenas, a permissão para a união civil das pessoas do mesmo sexo e a lei do trabalho doméstico. Ainda temos muito pela frente e sabemos que esse caminho deve ser percorrido em conjunto com toda a sociedade.

Vivemos agora no Brasil o desafio de garantir os direitos conquistados diante de um Congresso Nacional conservador e uma sociedade sujeita a avalanches de sensos comuns e capaz de apoiar retrocessos, como a redução da maioridade penal. Ao mesmo tempo, precisamos avançar nas conquistas diante de um país que ainda não encontrou o equilíbrio entre os interesses econômicos e os sociais, onde a violência ainda mata 56 mil pessoas por ano (30 mil jovens entre 15 e 29 anos, 77% negros).

Nós, representantes da sociedade civil organizada, precisamos estar prontos para nos posicionar claramente diante desses conflitos, unidos e com estratégias de defesa à altura das ameaças que encontramos, exercendo um papel cada vez mais relevante na luta pelo fim das desigualdades sociais e pela construção da democracia no Brasil e no mundo.

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