Datas Comemorativas

Hoje é: Dia do Cantor e Dia Mundial do Rock.

Amanhã é: Dia da Liberdade do Pensamento.

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Amadeu Garrido de Paula - amadeugarridoadv@uol.com.br

Advogado especialista em Direito Constitucional, Civil, Tributário e Coletivo do Trabalho.

Um entardecer comum

Loteado brutalmente entre interesses corporativos, políticos rasteiros e individuais, nosso povo hesita em espreguiçar-se pelos desvãos das fugas ou travar o bom combate. O "ethos" de nossos dias teve raros paralelos na história. Famílias inteiras de estamentos médio e alto cogitam em jantares intranquilos se emigram do Brasil ou se permanecem firmes no trato elementar de nossos desafios.

Não há como espreguiçar no anoitecer do justo descanso. As notícias demolidoras do dia sintetizam-se num inverno de desesperança. O mensalão, o petrolão, o futebol, o BNDES etc etc. A polícia, o Ministério Público e os juízes ocuparam o centro da praça onde se debate a coisa pública. Ao lado, os embates menores estremecem os poderes do Estado. Instituições que se digladiam entre si e dentro de si. Executivo, Legislativo e Judiciário se engalfinham, assim como o o fazem no interior de suas próprias entranhas.

Democracia é essencialmente dialógica. Todavia, dispersa por ruas desmanteladas, pisoteadas enlouquecidamente, já foi dito, lugar comum do pensamento político, que se converte num povoado anárquico. Sem rumos, sem líderes, providos de sapiência e coragem, sem partidos, vazio em que sucumbem suas infindáveis agremiações, governo sem o principal, credibilidade, no torvelinho de uma das mais preocupantes crises financeira e econômica, assombrações amedrontadoras rondam os jantares e os sonhos atormentados por pesadelos.

Ir ou não ir, deixar ou não um país enquanto é tempo, eis a questão. Há muito pouco tempo, esse cogitar seria emanação dos demônios. Apreendemos, contudo, neste século, cujas características ainda não assumiram feições nítidas, que política, sobretudo nos ditos emergentes, é uma cristaleira. O estilhaçamento é abrupto e imprevisível. Ao pisar sobre partículas pontiguadas e ferinas, vislumbramos pelas frestas de nossos casulos horizontes azuis e borrascas.

Vale dizer que mudança emergencial de governo é imperativa. Não se trata de revanche, concertação golpista, oportunismo aproveitador, coisas da política corriqueira. É a razão indicando o caminho da sobrevivência, opção fatal. Se, por emulações patrióticas, cantamos, ao longo de séculos, nosso destino explêndido, fatos contemporâneos indicam que países quebram, arruinam-se sem perspectivas visíveis.

O parlamentarismo já nos teria feito caminhar estrada menos áspera. Hipótese utópica, embora tudo seja possivel num reino de seres inteligentes e probos. O que vemos, contudo, é a continuidade dos descalabros, insultos, injúrias frente a um povo que vai às ruas. A resposta dos senhores do poder é o casuísmo de falsas reformas e, por paradoxal que seja, o crescimento de sinecuras em desafio ao inconformismo e à justa ira popular.

Nesse diapasão, a imensa maioria dos brasileiros é despreocupada pobreza. Em sua humildade, a visão de cactos de um governo corrupto, marcado pela desfaçatez, crescem no terreno ingrato e no ar desértico que ainda respiram. Seus integrantes não desfrutam daquele jantar da reflexão. Debruçam-se em janelas de madeira tosca e buscam o espaço dos céus. Talvez, ainda, a recuperação da beleza versejada. Talvez uma savana africana. Com certeza, quase todos pensam, a vida eterna.

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