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Fábio Antonio Gabriel - fabioantoniogabriel@gmail.com

Mestre em Educação pela UEPG, especialista em ética.

Massacre contra os professores do Paraná clama por justiça humana e divina

Há um sentimento generalizado de repúdio ao massacre realizado pelo governo do Paraná contra os professores do estado. Destaque-se que a maioria das pessoas que ali se encontrava era constituída de mulheres. Não portavam armas e, totalmente indefesas, foram cruelmente surpreendidas pelo bombardeio de tiros, pelas bombas de efeito moral, pelos cães soltos e pelo embate militar.

A OAB e a Defensoria Pública confirmaram que entre os presos não havia elementos infiltrados, tratava-se de trabalhadores defendendo pacificamente seus direitos previdenciários, não usando de nenhuma violência física. Mesmo quando, em fevereiro, os professores ocuparam a Assembleia Legislativa, não houve ato de violência por parte dos manifestantes, apenas reivindicavam direitos, o que, em uma democracia, é legítimo, trata-se da isegoria, o direito que a todos se concede de se valerem da oportunidade de reivindicar direitos.

Conforme afirma o filósofo Adorno, em Educação e Emancipação, impõe-se que empenhemos todo o esforço possível para que a barbárie não volte a reinar, precisamos superar consciências coisificadas, como a dos irresponsáveis mandantes que, usando militares, classe constituída de servidores que ali cumpriam seu dever, ou seriam punidos por transgressão caso se recusassem a cumprir ordens superiores. É preciso considerar que a paz é fruto da justiça e que o governo do Estado, sem esquecer o líder na Assembleia Legislativa, não mediram esforços para impor um confisco da contribuição previdenciária, que mensalmente subtrai 11% do salário do servidor público estadual, sem que a cada um seja concedida a opção de escolha. Obrigam-no a contribuir.

Assim, ao longo da vida, o trabalhador tem retirado esse valor mensal que falta em casa, com a alegação de que está poupando para a sua aposentadoria. Justa, portanto, a revolta, justa a reclamação do servidor, que, ao reivindicar seus lídimos direitos, teve como resposta apenas cães rottweiler a atacá-los ferozmente, bombas, gás, balas de borracha despejados sem trégua, pelo helicóptero e por terra, tudo atirado a esmo, pouco importando aos atiradores a quem atingiam.

Explosões em sequência espantosa, por duas longas horas, varreram toda a rua, toda a praça; balas perseguiam até mesmo pessoas acuadas a uma distância que poderia parecer segura, mais de cem metros da frente da Assembleia Legislativa. E, no entanto, sem trégua, insana, desvairadamente, as balas perseguiam a todos, até mesmo as pessoas colocadas pelo espaço dos estacionamentos arborizados do Tribunal de Júri, do Palácio das Araucárias e (pasmem!), pela rua distante em que o pipoqueiro puxando seu carrinho corria atordoado; até as pessoas refugiadas no canteiro da rotatória ao lado da Prefeitura, todos se fizeram alvo dos tiros disparados de um helicóptero que fazia rasantes sobre todo aquele espaço, mirava o aglomerado e atirava, e tornava a atirar, e novamente atirava louca, desvairadamente, sem cessar. Insano massacre. Difícil entender, Difícil esquecer. Um espetáculo sádico, dantesco. Então, ambulâncias, ambulâncias e ambulâncias eram o único meio de transporte que se via parar, ir, vir.

O massacre não poupou nem um jornalista que teve sua perna ferozmente atacada por um cão rottweiler da polícia. Cães à solta. Se fossem manifestantes violentos, fortemente armados, seria justificável uma ação mais agressiva por parte da polícia, mas eram, em sua maioria, professoras, mulheres, sem nenhuma arma ou munição, sem nenhum poder de defesa. Difícil esquecer as bombas incessantes sobre as pessoas, as rasantes dos sádicos olheiros que covardemente atiravam de um helicóptero sobre tantas pessoas atônitas, indefesas.

Desvalorizar o professor é uma inversão de valores inaudita; violentá-lo é o cúmulo, é ultrapassar a violência dos insanos que fazem uso da barbárie. No entanto, mais condenável ainda são as mentiras divulgadas pelo Governo do estado do Paraná. Afirma a OAB e a Defensoria Pública que as pessoas detidas eram professores, outros servidores e alguns alunos. Apesar dessa verdade colocada aos olhos de todos, a turba do poder insiste em eximir-se da responsabilidade pelos atos violentos que todo o país e imprensa internacional condenam e repudiam, escondendo-se atrás da alegação de que a polícia apenas defendeu-se de black blocs infiltrados entre os professores. E exibem pedras e outros apetrechos que a OAB e a Defensoria Pública negam ter encontrado com as pessoas detidas.

Precisamos todos, povo do Paraná em peso, nos unir, num só grito, num só clamor, para que a Justiça puna os responsáveis por essas atrocidades, porque os poderes estaduais querem esconder a crueldade dos atos contra os professores. Não vivemos em uma ditadura, é necessário garantir o legítimo direito da participação democrática. O atual governo precisa de argumentos mais verdadeiros, mais sólidos, mais convincentes e recorrer a menos repressão, sem violência. Competência que não existe entre eles, eis a verdade. Resta-nos a esperança de que, se a justiça humana falhar, que um Ser Superior realize a devida justiça contra pessoas e governantes que abraçam, que se apegam à deliberada e reincidente opção pela maldade e pelo desrespeito à pessoa humana. E diante dessa Justiça, a VERDADE paira soberana, prevalece inegável, brilhante, cristalina. Que assim seja!

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