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Sidneia Freitas - sidneia@usp.br

Psicóloga e neuropsicóloga, idealizadora do Programa Mente Leve Corpo Leve e sócia-fundadora da Clínica Sintropia.

Os desafios dos pais na formação da identidade do adolescente

De acordo com dados da Unicef Brasil, cerca de 31% da população nacional têm menos de 18 anos de idade, o que equivale a quase um terço de toda a população de crianças e adolescentes da América Latina e do Caribe.

A adolescência é uma etapa particularmente difícil, marcada por mudanças intensas, tanto físicas quanto psicológicas e está relacionada com a formação da identidade pessoal.

É muito comum, durante esse período, um conflito interno no contexto da construção dessa identidade, que transita entre o si mesmo real, o ideal e o visto pelos outros. Tudo isso, além de uma busca pela autonomia que permeia zonas de pleno conflito, relacionadas, na maioria das vezes, com aquilo que desafia e transgride as regras.

O aumento da complexidade, dentro do contexto dessa busca para compreender a si mesmo, expõe o adolescente às crises existenciais. E, dependendo da carga genética, do ambiente em que o adolescente está inserido, do envolvimento e acolhimento dos pais, essas crises podem se transformar em problemas psicológicos de toda ordem como transtornos alimentares, abuso e dependência de drogas, fobias, depressão, diminuição no desempenho escolar, problemas de conduta, entre outros.

Por outro lado, é perceptível notar que a educação contemporânea tem ocasionado o surgimento de adolescentes e jovens adultos que se acham “merecedores”. Observamos, na maioria das vezes, características nesses grupos como extrema dificuldade em aceitar críticas e lidar com contrariedades, problemas de adaptação, dificuldades no relacionamento interpessoal, problemas em aceitar tarefas que não consideram à sua altura, entre outras.

Essa postura, em grande parte, está relacionada com a educação que receberam durante a infância e o esforço exagerado dos pais em criar adultos livres de traumas. O incansável desdobramento para garantir o sucesso no futuro dos filhos gerou um excesso de autoestima, de que são merecedores das melhores opções, de que podem alcançar qualquer objeto de desejo. Essa confiança associada a comportamentos narcisistas geram problemas de toda ordem.

Como os pais podem preparar os jovens para o mundo real lá fora? Veja algumas dicas:

• Delimitação dos espaços: fonte de embates entre pais e filhos, a determinação de horários e permissões em geral é importante para a formação de identidade do adolescente, uma vez que entende que regras são os princípios básicos em diversas áreas da vida;

• Suporte: é também importante saber ouvir, dar esse suporte emocional com sabedoria e empatia, acolher as necessidades de toda ordem, proporcionar momentos agradáveis no âmbito familiar significa amenizar os conflitos dessa fase tão singular da vida, tanto para os adolescentes quanto para os pais;

• Conduzir o adolescente: é preciso dizer NÃO, corrigir atitudes que demonstram traços de personalidade inadequados quando percebidos no dia a dia, conduzir o adolescente a perceber a necessidade de saber esperar;

• Afeto: firmeza não é sinônimo de frieza. É importante estabelecer uma relação de carinho e confiança com os filhos, mesmo que às vezes seja preciso puxar as rédeas.

Com transparência, firmeza, carinho e limites os filhos absorverão valores, esses considerados antiquados nos dias de hoje, porém tão importantes para a formação da identidade do adolescente.

Pense: como estamos preparando nossas futuras gerações?

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