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Amadeu Garrido de Paula - amadeugarridoadv@uol.com.br

Advogado especialista em Direito Constitucional, Civil, Tributário e Coletivo do Trabalho.

Quando será nosso “carpe diem"?

O bom dia coletivo da "sociedade dos poetas mortos" parece muito longe de nosso horizonte. Principalmente, após a vitória eleitoral apertada e concentrada em rincões do país de um partido que pôs abaixo as aspirações sociais dos poetas. Antes dele, é bem provável que tenhamos de suportar um "dia de fúria".

O jornalista José Nêumanne Pinto, em texto para o jornal O Estado de S. Paulo, noticia que em Davos, no Foro Econômico Mundial, o primeiro-ministro italiano se pronunciou com rara felicidade: "Há uma janela e um período de oportunidade excepcional e o papel dos políticos é atender o momento, "carpe diem", em que podemos escolher o futuro". Há tempo que não víamos alguém da política ficar tão próximo dos Originais do Samba, "tantas belezas jogadas nos cantos da vida, que ninguém vê e nem mesmo procura encontrar".

Dilma Rousseff não ouviu essa mensagem de esperança e, se a ouvisse, pouco importaria, se já produziu tantas demolições em nosso sistema político e econômico que hoje viaja boquiaberta como um quadrúpede num caminhão de mudanças. Preferiu persistir no caminho da perdição, homenagear o cocaleiro Evo Morales em mais um mandato boliviano e bolivariano. Cruzes, como é real a teoria da sincronicidade desenvolvida por Carl Jung; Morales dizia que nosso mundo não deve ser a terra dos "Chicago Boys", no mesmo momento em que nosso Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, era saudado, principalmente por Cristine Lagarde, Presidente do anatematizado FMI, órgão que nosso profeta Lula disse que passaria a socorrer, precisamente como o simpático menino de Chicago.

Contradições fundamentais insuperáveis. Essa é a marca do governo Dilma, incapaz de aproveitar-se do pouco aproveitável do governo Lula para dar um norte seguro a esse País. Fala-se em erradicar a pobreza, o que demanda dinheiro, que não há, de modo que é preciso criar condições financeiras, somente possível com política de austeridade. E política de austeridade não sacrifica os donos das benesses econômicas, como bem sabe e faz o Chicago Boy, mas a classe média, o consumo e, no fim das contas, aumenta a pobreza, por falta de riqueza circulante e criação de empregos, num ciclo vicioso perverso.

Tudo se agrava quando se observa na conduta presidencial o contrário do que foi dito na campanha da grande mãe dos brasileiros. E creio que nada há de mais triste do que pilhar nossas mães numa mentira ou numa postura enganosa. Dissolve-se a credibilidade, mola mestra do progresso, da paz e da felicidade, nos lares e nas nações.

Acima dos homens, porém, operam as forças irresistíveis dos fenômenos. Não se trata de determinismo, porque nosso livre arbítrio influencia sua marcha, mas de uma base comum do real sobre a qual nossa inteligência atua. Queiramos ou não, não podemos determinar as circunstâncias a nosso bel-prazer. A sociedade complexa depende de fatores subjetivos e objetivos complexos, que sequer prevemos. Daí as surpresas, o antes inimaginável, a capacidade de superação pelo homem dos problemas humanos, o animal mais adaptável do planeta. Para o bem ou o mal. Daí nossa reverência à memórável expressão do premiê italiano.

Infelizmente, estamos exaustos. A nação brasileira cansou. Mas, é preciso crer no "carpe diem", dias de felicidade, que deveriam ser contínuos, bem traduzido ao plano político, felicidade que não é a lúdica dos jovens poetas mortos, mas a capaz de inserir o País nos trilhos direcionados à solução paulatina dos problemas que o afligem desde o descobrimento.

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