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Fábio Antonio Gabriel - fabioantoniogabriel@gmail.com

Mestre em Educação pela UEPG, especialista em ética.

À espera de um sucessor para a cátedra de Pedro

O mundo quedou-se surpreso com a inesperada notícia da renúncia do Papa em data tão próxima: 28 de fevereiro. E o leitor, interessado em aquilatar o valor que o pontificado de Bento XVI lega a seu rebanho, teria que, inicialmente, eleger um critério para tal avaliação. Defensor dogmático das verdades da fé, do depósito da tradição, Bento XVI não poupou esforços em sua luta vigilante, intransigente mesmo, na proteção das verdades da fé, no afã de preservá-las inquestionáveis, propósito a que se dedicou numa luta sem tréguas desde que ocupava uma função na Sagrada Congregação Doutrina da Fé. Aqueles que comungam uma visão de igreja, em acepção eclesiástica, que defendem que a função da Igreja é manter inalterado o depósito das verdades reveladas, tais adeptos encontraram nele o marco ‘renitente’ de um apóstolo vigilante. Para o leitor interessado em avaliar as qualidades intelectuais de Bento XVI, certamente encontra nele um homem que domina diversos idiomas, que dispõe de uma vasta cultura e conhecimento profundo de mundo e certamente sua catequese, uma vez compilada, desvelará uma fonte de doutrinação extremamente relevante e de profundidade inquestionável.

Por outro lado, a renúncia reaviva as esperanças tão desejadas de eleição de um pastor para a diocese de Roma que, enfim, contemple os anseios da modernidade, que se movem pelo desejo de todos que lutam por ‘novos ares’, para que se consuma, enfim, o aggiornamento proposto pelo papa João XXIII no início dos trabalhos conciliares do Vaticano II. Da fumaça branca anunciadora de nova escolha surgem esperanças de eleição de um pastor que conheça melhor a vida cotidiana das pessoas comuns, que se preocupe mais com as verdades do coração do que com as verdades do intelecto, da razão. Esperanças de escolha de um pastor que abra diálogo com as ciências, sem que para isso seja necessário desprezar os ensinamentos da fé cristã. Esperanças de que assuma o posto um pastor experiente no trato como pároco afeito ao cotidiano dos fiéis, que participa da comunidade, conhece as necessidades e os desencantos do homem comum, com ele convive e procura conhecer a todos porque os ama como um cristão deve amar e a todo semelhante que busca alento, assistir.

Esperança de eleição de um pastor que lute, sim, mas em busca tenaz de caminhos convergentes para a harmonia, para a paz, que debata com teólogos de qualquer parte do mundo buscando até as últimas consequências aparar as arestas que culturas e anseios diferentes fazem crescer e nem sempre em harmonia com parâmetros que, se há séculos e séculos poderiam adaptar-se, hoje parecem não mais atuar e, assim, sem necessidade de excomungar ou de perseguir aqueles que, na defesa de necessidades, manifestem divergência teológica, buscar um entendimento. Afinal, a teologia também é uma ciência e é espaço para estudos e pesquisas, e os questionamentos devem ser sempre bem- vindos e por meio deles podem surgir posturas mais adequadas ao mundo de hoje.

Tempos atrás li uma frase muito infeliz de um bispo nomeado por Bento XVI, dizendo que a única obrigação de padres em uma paróquia consistia em celebrar missas e demais sacramentos, e a paróquia não tinha nenhuma obrigação social. Com a renúncia de Bento XVI, surge a esperança de que o Direito Canônico seja considerado sobretudo na sua última norma a mais importante: ‘a salvação das almas’ Que essa esperança mova os anseios também para a escolha de um bispo de Roma menos preocupado com a doutrina e mais com a vivência cristã e que seja eleito um sucessor de Pedro que convoque a Igreja a estancar suas feridas assumindo-a como instituição humana disposta ao diálogo.

Não queremos emitir juízos porque eles seriam sempre parciais, mas expressar o sonho de uma Igreja Católica na perspectiva eclesiástica do Concílio Vaticano II: ‘Igreja como Povo de Deus’ é um sonho legitimamente realizável. Uma Igreja em que cada fiel entusiasme-se, faça-se motivação para ações nas atividades religiosas da comunidade onde vive, até mesmo em decisões, em que os ensinamentos dos bispos venham ao encontro do evangelho de Mateus, que certamente é o ‘exame final’ da vivência cristã conforme o evangelho de Mateus 25 “Estive com fome e me deste de comer”. Enfim, sonhemos com um pastor que proponha mais caminhos e que condene menos, mais pastores na Igreja Católica e menos burocratas no governo da barca de Pedro. Que este sonho em breve se torne realidade em nossos novos tempos.

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