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Ascânio João Sedrez - imprensa@marista.org.br

Diretor Geral do Colégio Marista Arquidiocesano.

Ensinando e aprendendo Direitos Humanos: a escola que se potencializa na relação com a sociedade

A perspectiva assumida em muitos projetos educacionais é que a escola tem um papel muito específico na sociedade e que suas fronteiras são claras e, praticamente, intransponíveis. Há, infelizmente, a ideia de um espaço-tempo estéril e praticamente estável. Imagino que pensar e operar a educação desse jeito determinará uma escola provavelmente alienada e descomprometida da vida. Seus ex-alunos, talvez, também terão essas marcas.

Numa outra opção, conscientes das inter-relações intrincadas que existem entre educação-escola-sociedade, mesmo considerando esses contextos desafiadores e as resistências que possam surgir, é fundamental conversarmos e atuarmos na seara da educação sobre e para os Direitos Humanos.

É o que temos buscado, é o cenário que estamos construindo com a ajuda de muitos e muitas. Retomamos essa questão pela necessidade da escola abordar sistematicamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esse código tão elogiado no mundo todo, tão desconhecido e malhado por muitos brasileiros, configurou-se historicamente como “conquista para jovens vulneráveis e marginalizados/marginais”. Queríamos superar preconceitos, conhecer melhor, buscar especialistas que pudessem ajudar a nossa comunidade educativa num estudo mais profundo e coerente.

Nosso Grupo Marista, entidade educacional vinculada ao sonho de São Marcelino Champagnat, tem atuações em vários campos e contextos na cidade de São Paulo. Nosso Colégio, fundado em 1858, em sua sede atual projetada e construída nas décadas de 1920-1930, na então região periférica da Vila Mariana, agora se encontra em um dos principais entroncamentos culturais e educacionais da cidade. Temos o nosso Colégio irmão, o Marista Glória, desde 1902 fazendo Educação Marista na região central, Cambuci-Aclimação. E, há mais de 20 anos, temos uma atuação educativa-social na Zona Leste: Vila Progresso, Itaquera, Jardim Robru e União de Vila Nova.

Não tivemos dúvida: precisávamos aproveitar a formação e qualificação dos(as) educadores(as) que atuam nas unidades da Rede Marista de Solidariedade, na Zona Leste. Retomaríamos o ECA, com profundidade e reconhecendo nele o instrumento que assegura, a todas as crianças e adolescentes, as condições para um crescimento saudável e equilibrado, incluindo a educação de qualidade. Montamos um grupo de estudos com educadores das várias unidades Maristas, e as trocas, contribuições, boas perguntas e perspectivas novas foram se multiplicando, além de convidados que enriqueceram nosso conhecimento da realidade dos direitos de crianças e adolescentes, e o nosso amor por eles(as).

O estudo e a partilha geraram um sentimento coletivo: não é possível represar esse conhecimento sobre o ECA e as questões relacionadas aos direitos humanos apenas neste pequeno grupo. Por que não organizarmos um grande encontro sobre Direitos Humanos e Educação? A ideia foi cultivada, os passos foram dados, as parcerias foram costuradas...

O I Seminário Marista – Direitos Humanos e Educação aconteceu em 06 de setembro de 2014. A Rede Marista de Solidariedade e o Colégio Marista Arquidiocesano encabeçaram a lista dos que se engajaram para que o evento fosse maravilhoso e envolvesse mais de 500 educadores e educadoras de São Paulo e de outras cidades do Brasil. O patrocínio da editora FTD permitiu uma organização muito elogiada por todos.

Das reflexões acadêmicas às trocas de experiências, dos relatos pedagógicos às partilhas de engajamento e transformação em situações de altíssima vulnerabilidade, tudo contribuiu para vincular-nos com a aprendizagem e construção dos Direitos Humanos na educação, tanto aquela que acontece formalmente nas escolas quanto nos processos não formais.

Sirvo-me de um pequeno trecho da palestra final do evento, com a Dra. Marilena Chauí, para apontar os caminhos que se abrem nesta relação tão delicada e tão transformadora entre Educação e Direitos Humanos: “Essa educação formadora se realiza como trabalho do pensamento para pensar e dizer o que ainda não foi pensado nem dito, trazendo uma visão compreensiva de totalidades e sínteses abertas que suscitam a interrogação e a busca, a descoberta do novo, a transformação histórica como ação consciente dos seres humanos.”

É isto: nossa humanidade é o grande palco dos direitos. Que continuemos a fazer na educação eco desta busca sempre exigente.

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