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Álvaro Modernell - alvaro.modernell@gmail.com

Especialista em educação financeira, diretor da Mais Ativos, palestrante e autor de vários livros, projetos, cartilhas e artigos sobre o assunto.

Como implantar Educação Financeira nas escolas?

Educação Financeira é um dos principais temas da atualidade. Está na pauta das escolas, no cotidiano das famílias, na imprensa e na agenda de governantes e legisladores. Porém, ainda há pouca clareza sobre o que é, realmente, Educação Financeira e como implantá-la nas instituições de ensino, desde o Infantil ou Fundamental, até os cursos de pós graduação.

É importante deixar claro que EF não é o mesmo que matemática financeira ou introdução ao mercado de ações. Que não se trata apenas de falar de economia e finanças em linguagem simples. Tampouco é uma trilha para o enriquecimento fácil ou uma estratégia para reduzir o consumo ou evitar o endividamento.

Em resumo, Educação Financeira é um conjunto amplo de orientações e esclarecimentos sobre posturas, valores e atitudes adequadas no planejamento e uso dos recursos financeiros pessoais.

Para dezenas de escolas que atendi ao longo dos anos, tenho sugerido iniciar com a introdução de livros voltados para Educação Financeira nos projetos de leitura, de preferência com diversidade de autores e de abordagens. Podem ser clássicos, como certas fábulas de Ésopo, passando por livros de referências atuais da nossa Literatura infantil, como Jonas Ribeiro, Ruth Rocha e Vera Lucia Dias, enriquecendo e surpreendendo com livro até de Cora Coralina e, claro, sugerindo alguns de meus livros, cuja temática é sempre relacionada a fundamentos de educação financeira.

Durante algum tempo, que pode ser de um ou dois anos, sem a necessidade de investimentos adicionais na escola, sem gastos extras para os pais, sem mexer na grade curricular, simplesmente acrescentando literatura ou paradidáticos voltados para o assunto na lista de livros de todas as séries, as escolas conseguem se aproximar do assunto, atender a pressão dos pais e ao mesmo tempo ganhar experiência para a escolha dos melhores caminhos e das melhores alternativas.

Dessa forma, o tema passa a frequentar naturalmente o cotidiano da escola. As crianças e os pais se interessam, os professores passam a ter contato, a pesquisar, a capacitar-se e, naturalmente, surgem os mais interessados e com potencial para liderar um projeto específico, quando chegar o momento.

Geralmente surge ou intensifica-se a demanda, tornando o terreno mais fértil para que seja oferecido algo mais estruturado. E as vantagens ficam latentes: aproveita-se tudo o que já foi lido e trabalhado, e o caminho está pavimentado para o uso de outros materiais ou atividades complementares.

Ao longo desse período de sensibilização, é importante levar à escola especialistas para fazer palestras, oficinas, provocar discussões. Na medida do possível, o público deve variar de internos (professores, funcionários e alunos) a externos (pais e familiares de alunos e cônjuges de professores e funcionários). Não menos do que dois eventos devem ser organizados, de preferência com a presença de diferentes profissionais, para estimular comparações, reflexões e diversidade autoral. Melhor ainda se ao menos um deles for representante da corrente humanista, aquela que trabalha educação financeira como meio para conquistar melhor qualidade de vida, ao invés de focar no uso de instrumentos para focar no enriquecimento.

É importante, também, consultar e ponderar as diretrizes do Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) e do MEC e:
• Visitar ou realizar intercâmbio de informações com outras escolas.
• Avaliar se a melhor opção para a escola seria o uso de metodologias patenteadas de sistemas de ensino, por exemplo, ou o desenvolvimento de metodologia própria, com assessoria especializada.
• Contar com o apoio de editoras e especialista para consultoria e indicação de autores e bibliografia especializada.

De acordo com as diretrizes acima, é recomendável a realização de benchmarking em escolas similares ou o estudo de casos de sucesso. Não há necessidade de reinventar. Metodologias prontas são mais fáceis de implementação, mas nem sempre são as melhores escolhas. O uso de literatura e paradidáticos exige um pouco mais de planejamento, mas tende a trazer mais benefícios para as crianças e melhor aceitação por parte dos pais. Escolas pequenas podem basear-se na experiência das maiores. Grandes redes podem investir para adaptar o que mais condiz com sua realidade e estrutura. Todas podem contar com a parceria de editoras e devem assegurar-se de que os materiais escolhidos sejam compatíveis com o contexto da comunidade e da região.

Tratando-se de assunto ligado às finanças pessoais, não posso deixar de abordar uma questão relevante para o orçamento familiar: o custo e os preços dos materiais escolares e dos livros. Cabe às escolas ponderarem, também, o preço das obras a serem selecionadas, indicadas e adotadas, contribuindo, como parceiras dos consumidores, para que a relação custo-benefício seja positiva.

Os professores precisam ser capacitados e os funcionários da escola, sensibilizados. Educação Financeira envolve todos os segmentos da instituição, da sala de aula à cantina, passando pela tesouraria. É importante os alunos observarem que a prática na escola é condizente com as teorias da sala de aula. Com crianças não funcionam discursos dissociados das práticas e dos exemplos.

As escolas precisam responsabilizar-se por essa formação de modo sério e sistemático. Seja por questões financeiras ou por questões de educação, valho-me de Derek Bok (ex-reitor da Faculdade de Direito de Harvard): “Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.”

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