Datas Comemorativas

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Leni Helena M. C. Morais - leni.f1@nsmorumbi.com.br

Professora do 5.º ano do ensino Fundamental I do Colégio Nossa Senhora do Morumbi.

O caminho para trabalhar a Independência do Brasil

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes do nosso país. Oficialmente proclamada no dia 7 de setembro de 1822, ela ocorreu quando, após uma série de acontecimentos políticos e econômicos, o príncipe-regente Pedro anunciou "Independência ou morte", às margens do rio Ipiranga. Conhecido como o “Grito do Ipiranga”, esse fato marcou a transformação do Brasil em uma nação independente, o fim do domínio colonial português e a conquista da autonomia política no país.

É fundamental que esse acontecimento seja trabalhado nas salas de aula por sua importância política e histórica no Brasil. Quando aplicado na escola, o conhecimento desse fato que marcou a trajetória do país, bem como toda a História, permite ao aluno o resgate do passado, o estabelecimento de pontes para o presente e transformação da realidade a partir de sua compreensão.

Quando o dia 7 de setembro se aproxima, muitos professores sentem-se pressionados a trabalhar o tema, mas acabam fazendo isso de forma errada. No lugar de uma abordagem consistente, planejada e atrelada ao currículo, alguns educadores costumam fazer com que os alunos decorem datas, fatos, personagens e heróis.

Isso prejudica a assimilação do conhecimento pelo aluno, não só porque ele tratará o assunto como algo passageiro e extremamente repetitivo ao longo dos anos, como também pelo fato de o assunto, em uma época comemorativa, não ser trabalhado a partir de todos os prismas que se deve.

É preciso lembrar que, embora tenha alcançado a independência, o país não sofreu rupturas sociais. A população mais pobre não participou da luta e sequer entendeu o significado da independência e a escravidão não foi abolida. O poder continuou centralizado no Imperador e na elite de proprietários de terras, traficantes de escravos e comerciantes que o apoiava, excluindo a imensa maioria da população da participação política.

Disso, desprende-se que o aluno deve ser capaz de compreender que, apesar do grande passo histórico que foi a independência do Brasil, ela não constituiu um fato isolado nem resolveu todos os problemas do país. Eles se desdobraram em outros no curso da história e refletem na sociedade brasileira até hoje, de forma que o tema deve ser trabalhado mesmo fora de sua data comemorativa, com calma e criticamente.

A prática da “decoreba” é inimiga da aprendizagem. Os conhecimentos propostos pela História exigem um nível de abstração diferente, em que o professor deve procurar aguçar o olhar do estudante para os detalhes, incentivá-lo a observar as causas e consequências de cada acontecimento e ajudá-lo a encontrar paralelos do passado para com o presente.

Trabalhar o tema didaticamente é importante, mas o educador deve buscar construir o conhecimento junto aos alunos por meio de atividades lúdicas e leves, e não por meio de atividades cansativas. É indispensável que o professor busque explicar os fatos de maneira dinâmica, por meio de textos, atividades, linhas do tempo, filmes, vídeos, teatro, imagens e personagens.

Livros não-didáticos também constituem um bom caminho: é o caso de 1808 e 1822,ambos do autor Laurentino Gomes. As obras contemplam, de maneira cômica e leve, os acontecimentos que culminaram na proclamação da independência, desde a vinda da família real portuguesa em 1808, e seus desdobramentos para um Brasil que se tornava Império.

O conhecimento da História tem um papel fundamental na formação cultural e social do cidadão. Ela envolve relações sociais, conflitos e épocas diferentes, que provocam a curiosidade do aluno, mas também estimulam uma ligação com o presente e a compreensão da realidade atual. Quando bem informados em sala de aula, os estudantes podem buscar mais da História por si mesmos e, a partir disso, construírem um conhecimento que os auxilie a agir conscientemente no presente.

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