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Hendryo André - hendryoandre@gmail.com

Professor de jornalismo da UniBrasil.

Por uma perspectiva pedagógica para o estágio em jornalismo

O 7º Congresso Paranaense dos [e das] Jornalistas, realizado entre 07 e 09 de março, foi uma oportunidade para levantar inúmeras discussões sobre os principais desafios e perspectivas da categoria profissional na contemporaneidade. E o estágio em jornalismo certamente esteve entre os temas mais aflorados no encontro que reuniu uma gama de profissionais, professores e estudantes de jornalismo de todo o Paraná, além de convidados de outros estados.

A opção por elencar no Caderno de Teses do Congresso um eixo voltado exclusivamente à formação profissional não foi aleatória e nem é isenta de significados. Ao se deparar com uma profissão cujo mercado tradicional definha, mas que, ao mesmo tempo, revigora-se como poucas atividades profissionais a partir dos nichos de atuação proporcionados pelas novas tecnologias e pelo lento, mas contínuo, amadurecimento da democracia no país, o debate sobre os novos contornos da formação em jornalismo mostra-se como uma questão de sobrevivência – seja pelo anseio do cumprimento do papel fiscalizador dos sindicatos ou pelo viés pedagógico defendido pela academia.

Além da defesa pela obrigatoriedade do diploma, ponto de vista defendido pelos 31 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) desde a revogação da Lei de Imprensa e da não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, em 2009, as discussões do eixo temático giraram em torno de outros três assuntos ligados à prática do estágio: a obrigatoriedade de a atividade ser supervisionada a partir das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Jornalismo, válidas a partir de 2015; a exploração da força de trabalho como mão de obra barata; e, por fim, uma perspectiva da prática como um complemento à formação. Todos os assuntos podem ser consultados no Caderno de Teses do congresso.

A comissão que discutiu os parâmetros para a formação profissional durante o Congresso Paranaense dos Jornalistas mostrou-se inicialmente dividida a respeito da conceituação da essência dos motivos pelos quais existe a atividade de estágio: um lado do grupo mostrou-se claramente contrário a qualquer tipo de aprendizado oriundo da prática; uma segunda corrente procurou elementos para apontar aspectos que são relevantes na formação acadêmica. Após as argumentações chegou-se a alguns consensos que serão levados à etapa nacional do Congresso, que será realizada no próximo mês em Maceió: é preciso delimitar que a carga horária seja fixada no máximo quatro horas e é necessário definir um piso remunerativo (capaz de manter a dignidade do discente) e um teto (para evitar que um estagiário exerça a função de “emprego”).

Com essas medidas, o resultado da discussão mostrou-se valoroso. Afinal, um dos elementos mais perigosos quando se opta por avaliar o exercício do estágio exclusivamente como substituição das forças de trabalho por mão de obra barata e desqualificada é a omissão que a visão fiscalizadora tem sobre o contexto socioeconômico dos graduandos em jornalismo. Num exemplo extremo: optar que um aluno venda brigadeiros nos intervalos das aulas em vez de desempenhar um estágio no qual é explorado – e justificar isso como uma questão de interesse de classe trabalhista – é um pensamento descontextualizado. Há de se crer que o estudante anseie pelo estágio justamente para “exercer” a profissão, e isso gera expectativas que possivelmente colocam a exploração em segundo plano para o discente – essa lacuna pode ser preenchida com a aprovação do estágio supervisionado e também, conforme vem sendo discutido com o Sindijor-PR desde 2013, a elaboração de um estudo voltado ao perfil do estudante de jornalismo brasileiro, que pode ser realizado com metodologia similar à utilizada pela Fenaj no perfil do jornalista brasileiro (CONHEÇA O ESTUDO).

No fim, o resultado que mais agracia a discussão é o fato de que a atividade supervisionada transforma-se numa oportunidade para que o estágio possa ser realizado em instituições atualmente marginais para o campo da comunicação, como rádio, tevês, jornais e portais comunitários na internet, instituições do terceiro setor e movimentos sociais, assim como associações, igrejas e, de repente, até mesmo para práticas empreendedoras – é ainda preciso discutir na etapa nacional do Congresso quais critérios serão utilizados para o desenvolvimento dessas atividades em áreas nas quais não há jornalistas diplomados em exercício. Em tais nichos de mercado não há problemas que entrem em conflito com a substituição da força de trabalho e é possível ressignificar o próprio campo do jornalismo, abrindo novos horizontes de atuação profissional, divergentes dos princípios das grandes empresas de comunicação e marcados por uma formação humanística dos discentes.

Tudo isso passa pela (re)aproximação entre sindicatos e universidades. No Paraná há notórios esforços do Sindijor-PR para se aproximar dos cursos superiores de Jornalismo, embora seja necessário estreitar mais ainda os vínculos.

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