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Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - aspomilpm@terra.com.br

Dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

A falta de médicos e a saúde

Depois de passar pelo trauma classista-ideológico provocado pelo anúncio de que o governo pretendia trazer 6 mil médicos cubanos e da criação do serviço obrigatório aos médicos recém formados, o Ministério da Saúde abriu 14 mil vagas no programa “Mais Médicos”, para atender às periferias. Mas, na primeira seleção, conseguiu reunir apenas 938 profissionais. As entidades médicas denunciam dificuldades de inscrição que, segundo seu raciocínio, teriam como objetivo fazer as vagas sobrarem para os profissionais cubanos pretendidos inicialmente. Nessa primeira seleção, apenas 404 dos 3511 municípios que se candidataram deverão receber os médicos do programa, levando o ministério a reabrir as inscrições.

A população há muito sofre com a falta de atendimento aos seus problemas de saúde. Hospitais, ambulatórios e pronto-socorros, aonde existem, transformam-se em campos de horrores, verdadeiros centros de tortura e violação dos direitos humanos provocadas pela falta de solução à dor e aos males do paciente. Os médicos reclamam de baixos salários, mas também não se habilitam quando alguns governos encontram alternativas para melhorar seus rendimentos. Muitos deles aceitam o emprego público, mas, desumanos, atendem mal ao paciente e descumprem sua jornada de trabalho, indo atuar em seus consultórios particulares ou em outro emprego. O (des)governo, trapalhão, enrolado burocraticamente e incompetente, não resolve os problemas. Só agora, mesmo sem rumo, é que busca soluções, acossado pelas manifestações de rua que exigem saúde, educação, fim da corrupção e outros direitos.

É importante que todos os atores desse circo do horror levem, no mínimo, em consideração suas obrigações para com a comunidade e a sociedade. Os governos – federal, estaduais e municipais – têm de encontrar meios de cumprir o artigo 196 da Constituição (“A saúde é direito de todos e dever do Estado”). Os doutores não podem se esquecer que muitos deles devem suas formações a escolas públicas que freqüentaram ou às bolsas que receberam de órgãos públicos e, por isso, não lhes custaria muito devolver à sociedade um pouquinho do que o cofre público investiu em sua preparação. Isso sem falar do Juramento de Hipócrates (o médico e filosofo grego, considerado pai da medicina), que nenhum deles pode ignorar.

O papa já foi embora e o “refresco” que as manifestações ofereceram parece estar terminando. Já ressurgem atos públicos, passeatas, greves e outras manifestações. É bom que governo, entidades médicas e todos os envolvidos na questão da saúde busquem a melhor forma de entendimento para, com isso, atender ao justo clamor popular por médicos, hospitais e ambulatórios que realmente funcionem, atendam aos pacientes e tratem de seus males. Que todos os desumanos ranços políticos, classistas ou sociais sejam abandonados em favor do entendimento e do cumprimento da missão de bem servir. Para o povo, pouco importa se o médico é brasileiro, cubano, português, espanhol, japonês ou até marciano. O fundamental é que tenha boa formação comprovada e disposição para o trabalho. A continuar do jeito que está, a Saúde Pública brasileira é um típico caso de desrespeito aos direitos humanos e assim deverá ser denunciada em todos os foros que, sinceramente, se disponham a discutir e resolver o problema.

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