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Roberto Paes de Carvalho Ramos - roberto.ramos@estacio.br

Diretor da Fábrica de Conhecimento Estácio, setor de tecnologia e inovação aplicadas ao ensino.

Tecnologia ou metodologia?

A tecnologia sempre esteve presente, em maior ou menor grau, nas situações de ensino e aprendizagem. Para os mais velhos, recursos como mimeógrafo, projetor de slides, retroprojetor, videocassete, entre outros, já foram modernidade tempos atrás. Hoje, não é difícil encontrarmos uma sala de aula com datashow, computador e conexão à internet. Nesse cenário de ebulição de novos recursos tecnológicos, seria possível concluir que houve evolução nas formas de ensinar e aprender?

Do ponto de vista da tecnologia, é claro que sim. O mesmo não se pode afirmar da metodologia... Afinal, uma aula expositiva ou uma palestra é normalmente o lugar onde um detentor do conhecimento fala para um público que supostamente não o detém, ou não o domina. Mas será que tal detentor do conhecimento pode competir com o Google, Wikipédia, ou com diversas outras publicações online, gratuitas, de renomados acadêmicos do mundo inteiro, inclusive agraciados com Prêmio Nobel?

O momento alia tecnologia a uma necessidade de mudança de comportamento no meio acadêmico, e isso não se resolve a partir da aquisição de novas e mais potentes ferramentas, já que a evolução tecnológica é muito mais rápida que a assimilação da tecnologia, seja em que nível for. A urgência real é didática, metodológica.

Em meio a um turbilhão de informações disponíveis, da crescente sensação de escassez de tempo, dos compromissos sociais (ainda que virtuais), dos engarrafamentos, de se levar trabalho para casa, das necessidades e desejos pessoais, é preciso refletir acerca de uma mudança de comportamento, em especial no ensino superior. E tal mudança não se restringe ao professor, posto que o aluno também deve adequar-se.

Enquanto a sala de aula for um lugar onde a fala do professor irá diretamente para as anotações do aluno, sem passar pelo cérebro de ambos, não há motivo para haver uso de tecnologia. Em outras palavras, se a atitude do aluno for a de ouvinte passivo, e a do professor de ditador de conceitos, não há porque nem para que incorporar a tecnologia, posto que seu uso será adjacente, servindo apenas de “pirotecnia”.

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