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Valter Pereira - salesiano@nbpress.com

Leciona há quinze anos na rede particular de ensino da cidade de São Paulo. É professor de História no 9ª ano e Ensino Médio no Colégio Salesiano Santa Teresinha e no Liceu Coração de Jesus.

Os desafios do ensino de História no século XXI

O século XXI trouxe consigo transformações tecnológicas e científicas de toda sorte. É possível observar essas mudanças cotidianamente, seja no avanço da medicina, no desenvolvimento de pesquisas, ou até mesmo na confecção de equipamentos dotados de ampla capacidade tecnológica, que cada vez mais primam por eficiência e funcionamento autônomos.

Esses equipamentos, dotados de uma infinidade de recursos, estão presentes em sala de aula e, em muitas delas, tornaram-se parte integrante do material escolar. Diante de um cenário desse, onde a atenção do aluno está cada vez mais distante da lousa, será cabível ao professor de História vencer uma batalha imaginária travada entre ele e o aparelho celular do seu aluno? É aqui que se configura o grande desafio do professor em sala de aula.

O ensino de História no Brasil foi pautado, durante grande parte da história republicana, pela narrativa histórica, apresentando personalidades, fatos pontuais, causas, desdobramentos, características sociais, econômicas, culturais e políticas de uma determinada sociedade, sob uma determinada ótica historiográfica, que variava de acordo com o período histórico, ou mesmo a interferência estatal no modelo público de educação. A História, como disciplina teoricamente fundamentada, se consolida a partir do século XVIII, como analisa Thais Nivia de Lima e Fonseca, no livro “História e Ensino de História”. A partir do século XIX, a produção histórica passa a ter uma forte influência tanto do positivismo, quanto do marxismo. Enquanto o positivismo faz uma análise evolutiva dos processos históricos, o marxismo enxerga a história como resultado da “luta de classes”.

Do século XVIII ao século XX, o desenvolvimento da pesquisa em História e a produção historiográfica produziram avanços significativos, assim como no século XXI em que houve uma ampliação e difusão do material relacionado à História disponível ao público em geral.

Com uma diversidade de publicações, tanto impressas quanto digitais, sejam em formato de textos, imagens ou vídeos, e com os alunos tendo acesso a esse material no momento em que desejarem, qual o papel do professor de História em sala de aula? Como motivar os alunos a se envolverem nas aulas?

Uma alternativa, diante de um aluno cada vez mais conectado e menos interessado no modelo tradicional de ensino de História, são as metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Neusi Aparecida Navas Berbel, em seu livro “As metodologias ativas e a promoção da autonomia dos estudantes”, diz: “Podemos entender que as metodologias ativas baseiam-se em formas como desenvolver o processo de aprender, utilizando experiências reais ou simuladas, visando às condições de solucionar, com sucesso, desafios advindos das atividades essenciais da pratica social, em diferentes contextos”.

Para que haja o desenvolvimento de um aluno autônomo, é necessário que ele seja a figura central no processo ensino-aprendizagem. Elaborar, desenvolver e aplicar situações problemas, com as quais os alunos se vejam desafiados a encontrar a solução pode ser uma alternativa para que o aluno saia da posição de passividade e passe a agir ativamente no processo educacional. Metodologias como o PBL (Problem Based Learning) – utilizadas a partir da década de 1960 nas Faculdades de Medicina – vêm sendo cada vez mais utilizadas como alicerce na superação dos desafios do ensino de História no século XXI.

A História ensinada em sala de aula, utilizando somente a narrativa como método, tende a perder espaço e a afastar cada vez mais os alunos que, ao não se verem desafiados, perdem o interesse. A História é dinâmica e os processos históricos estão em constante transformação. Esse dinamismo deve ser levado para a sala de aula para aprimorar o processo de ensino-aprendizagem, pois só assim a educação deixará de ser estanque.

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Parabéns professor pelas colocações. Acredito, também, que o dinamismo nas aulas - sejam quaisquer uma das várias disciplinas - é a engrenagem que faz o motor funcionar perfeitamente. Eu sempre gostei de história, no entanto, me senti desestimulada com o tempo porque era obrigada a "decorar" datas. Hoje falo para meus filhos (6º e 4º anos - no Salê Santa Terezinha) que saber datas é importante, no entanto, é muito mais importante conhecer o contexto histórico... desta forma, as datas deixam de ser decoradas para serem aprendidas. Concordo plenamente com os modelos estratégicos que fazem com que os alunos vivenciem junto ao professor o conteúdo; que eles sejam a parte integrante da engrenagem metodológica. Agradecida pela sua explicação e, feliz por terem os filhos no Salê ST, onde os professores, como você, têm este tipo de consciência. Abraço.


Andreia Henriques - ahnutri@gmail.com

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