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Bayard Galvão - bayard@institutobayardgalvao.com.br

Psicólogo Clínico formado pela PUC-SP, hipnoterapeuta e palestrante.

Por que ser odiada pelo filho é parte de ser uma boa mãe?

Quantas vezes uma mãe precisa dizer "não" para o filho ou filha por dia? E seria possível contar as exigências que ela faz da prole, diariamente, para que se dediquem aos estudos, sejam higiênicos, aprendam a usar talheres, aprendam a respeitar, se tornem honestos e com o tempo, pessoas de mérito?

Quando um filho ou filha diz "Te Amo!" e quando fala gritando "Te Odeio!"? Simples: ao agradá-lo ou desagradá-lo, respectivamente. Tal qual como seria num adulto, com a diferença de que a criança, contrário a algumas teorias românticas atuais que dizem que a criança só se tornará boa apenas por decisões próprias, precisam ser formadas, preferencialmente, em geral, com os valores dos pais.

Não foram poucas as vezes que vi uma mãe chorando desesperadamente porque ouviu do filho "Te odeio!" ao ter tirado o vídeo game porque precisava estudar para uma prova; ou porque tirou da filha o Whatsapp por ter destratado os avós. Educar é formar o espírito-caráter do filho ou filha, e faz parte dar limites, impor respeito e exigir – o que é impossível sem desagradar. Quanto tempo demora para o filho ou filha perceber e valorizar os esforços da mãe? 

A melhor forma de se aproximar da prole e ser amada por ela é achar e desfrutar de prazeres comuns, além de ser afetuosa com abraços, gestos, cuidados e palavras. Por outro lado, quando necessário (algo que decresce com os anos), desagradar no presente, para evitar sofrimentos desnecessários no futuro, e no próprio presente também. Ser mãe é uma tarefa exigente, uma das mais complexas que qualquer mulher pode decidir ter na sua vida. Com uma junção de sorte e boa educação, o filho ou filha perceberá quanto suor e vida foi dedicado a ele ou ela, e aprenderá a valorizar mais a grande educadora que teve. 

Uma mãe pode apenas ser julgada de maneira adequada pelos seus filhos depois dos 20 anos de idade deles, quiçá, nunca. Pois, para julgar a maternidade de quem lhe orientou no mundo desde bebê-criança, é preciso um mínimo de maturidade. Ser uma boa mãe não é, necessariamente, representado pelo amor do filho ou filha por ela. Entretanto, ver o filho ou filha sendo felizes nas suas vidas, já seria uma recompensa para quem ama. E por que não, ser amada também, apenas por uma questão de justiça? 

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