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Leticia Bechara - leticia.bechara@trevisan.edu.br

Mestre em educação e coordenadora do vestibular da Trevisan Escola de Negócios.

O paradoxo da educação brasileira

Recente reportagem da Folha de S.Paulo apresenta um quadro bem animador: taxa de desemprego nunca foi tão baixa, sobram vagas e faltam candidatos. Apesar disso, a reportagem avisa que os pequenos negócios estão com dificuldades de contratar funcionários de baixa qualificação, isto é, com escolaridade até o Ensino Médio. Para uma faixa salarial entre 700 e 1200 reais, o maior entrave é atrair os candidatos. Os poucos que se interessam pelas vagas têm formação muito deficitária. Eles têm problemas com contas e dificuldades de escrever corretamente”, coloca uma gerente de Recursos Humanos entrevistada pelo jornal.

Em contrapartida, o Governo de São Paulo deseja implementar medidas especiais de cotas nas universidades estaduais: USP, UNESP e UNICAMP. Consideradas universidades de excelência, inclusive em rankings internacionais, o governo paulista quer inverter o sistema atual e facilitar o acesso para os alunos que tenham cursado o Ensino Médio em colégios públicos.

As famílias de classe média sentem-se penalizadas pelo esforço que fazem para que seus filhos tenham chance de acessar o ensino superior público de qualidade. E agora a regra do jogo tornou-se outra, aumentando a concorrência para alunos oriundos da rede particular. Em 2016, das 12 mil vagas oferecidas pela FUVEST, 6000 serão oferecidas para alunos cotistas.

Se o sistema é meritocracia, porque as cotas? Por que não criar mais escolas de Ensino Médio de excelência? Atraindo os melhores alunos das escolas públicas?

Por que no sistema no ensino médio não há mais esforço para garantir qualidade, haja visto a dificuldade na formação da massa dos estudantes?

Questões sociais e políticas levaram a massificação ao acesso das crianças na escola, mas isso não garantiu a qualidade.

O papel do governo é garantir essa formação básica, de forma atraente e efetiva, necessária para o ingresso no mercado de trabalho. Se isso fosse feito, não haveria necessidade de políticas de cotas: melhores alunos acessam as melhores escolas.

Os outros podem pelo menos garantir que terão opções de acesso ao ensino superior, como FIES e PROUNI, e não apenas as Estaduais e Federais.

A discussão das cotas é importante, mas muito mais necessário é o investimento na formação dos jovens que desejam iniciar sua carreira e estão muito mal preparados para enfrentar os desafios atuais. Faltam as bases: comunicação e raciocínio.

Afinal, o que estamos ensinando nas escolas?

Por onde os nossos jovens irão começar? Como irão desenvolver seu potencial sem o mínimo de condições de competir no mercado de trabalho?

Responder essas questões se torna crucial para que as escolhas sejam feitas pelos diretores de escola, professores e a comunidade em geral. Esse é o maior desafio de agora e para frente.

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