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Marcilene Bueno - marcilex@gmail.com

Doutoranda em "Innovation in Engineering Education", na Unesp de Guaratinguetá (SP), mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É diretora da Mestra Educacional, uma entidade com vocação educacional, atuando presencialmente e a distância.

Aprendizagem criativa, com significado, da nova ortografia da língua portuguesa

Um interessante significado para a palavra aprender, segundo o dicionário de Língua Portuguesa, é tomar para si. Em outras palavras, dar sentido, significado a um fenômeno, ideia ou prática, a fim de conhecê-la com profundidade; familiarizar-se. Por isso, aprender extrapola a operação mental do apenas memorizar, especialmente quando a meta é a aprendizagem da ortografia.

Ortografia é um importante capítulo da gramática de uma língua, no qual se conhecem as regras para a escrita correta. Porém, é fato que para tais regras interferem, de modo alternado, critérios diversos: às vezes etimológicos, às vezes fonéticos, às vezes resultado do costume. Condições assim demonstram que não há uma lógica, uma constante que sustente a norma ortográfica. No entanto, essa natureza do fenômeno ortográfico de modo algum significa que a mera repetição (à exaustão) conduz ao seu aprendizado. São regras arbitrárias, sim, há muito mais exceções do que regularidades na norma, é verdade, mas nada disso dispensa a utilização de métodos criativos e mobilizadores e que exercitem diferentes operações mentais.

Para aprender ortografia propõe-se atividade e não passividade, especialmente para o usuário da língua que escrevia segundo outras regras e que precisará atualizar-se. Assim, conhecer as novas regras, compará-las, analisar as diferenças, compreender as razões das propostas de mudança são operações mentais relevantes, ativas e que dão sentido ao aprendizado. Não são meras memorizações.

Não basta, portanto, saber pronunciar uma regra - “os ditongos abertos ‘eu’ e ‘oi’, na posição paroxítona, não são mais acentuados” -, mas aplicá-la aos diferentes contextos de escrita, reconhecer características como tonicidade, encontros vocálicos e tantas outras, absolutamente necessárias para a análise do fenômeno e tomada de decisão sobre a grafia da palavra. Por isso, estratégias de aprendizagem criativas, que promovam reflexão, questionamento, são as que levam à familiaridade com o fenômeno, base para o aprender.

Embora pareça um assunto árido e fechado à discussão, ortografia também é espaço para dúvida e, por isso mesmo, lugar para aprendizagem densa e que compreenda, inclusive, sua natureza processual, ou seja, ainda que normativa, se tomada num determinado momento do tempo, a ortografia de uma língua sempre vai mudar. Aliás, por isso, estratégias de aprendizagem baseadas em problemas, projetos e, especialmente, na interação são muito bem-vindas pois estimulam o pensar juntos, a percepção coletiva sobre um elemento tão fundamental para a qualidade de vida de todos, como o domínio da linguagem. Também o lúdico pode contribuir para a aprendizagem ortográfica porque jogos e brincadeiras despertam a atenção, desenvolvem a concentração e a capacidade colaborativa para a solução de desafios, como aqueles que a escrita de qualidade de uma língua nos apresenta diariamente.

Assim, seja na sala de aula, seja no escritório, seja no ambiente virtual, quando o assunto é ortografia, é importante e deve ser tratado com curiosidade porque estimula a atividade cognitiva das pessoas. Conversar, divergir, discutir, refletir sobre ortografia nos torna mais competentes para viver em sociedade.

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