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Josué Alexandre Sander - josuesander@gmail.com

Coordenador adjunto do curso de Administração do UniBrasil Centro Universitário.

Bons empregos geram crescimento econômico ou crescimento econômico gera bons empregos?

Foram divulgadas, ao longo do ano de 2015, uma série de notícias sombrias sobre a economia e o emprego no Brasil. Conforme estimativa do Boletim Focus (9/out) o PIB brasileiro deve sofrer redução de 2,97% durante o ano de 2015. Dados do IBGE mostram que o desemprego aumentou (passou de 4,3% em dezembro de 2014 para 7,6% em agosto de 2015) e a inflação também subiu (9,49%, acumulado de 12 meses em setembro), resultando na redução do consumo da população e consequentemente dos níveis de produção da indústria, comércio e serviços.

Todas estas notícias levam muitos a pensar que os bons empregos no Brasil reduziram neste ano; porém, antes de fazer esta análise é preciso primeiro refletir sobre o que é um bom emprego.

Para muitos um bom emprego é o emprego com boa remuneração salarial, neste caso, de fato, as dificuldades econômicas (como as que o Brasil tem enfrentado) reduzem o “bom emprego”. No entanto, existe outra forma de analisar o que é um “bom emprego”, que inclui uma remuneração justa, mas não é só isso. O bom emprego é um espaço no qual a pessoa pode realizar as suas potencialidades, aprender, utilizar as suas competências e produzir benefícios para a sociedade, atuando em uma organização ou sendo empreendedor. Assim, o crescimento econômico da sociedade é consequência da existência de “bons empregos” e não a sua causa.

Como a organização pode ofertar “bons empregos”? Um bom caminho é adotar os dez princípios do Pacto Global, que é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de encorajar as empresas a adotarem políticas de responsabilidade social corporativa e de sustentabilidade.

Adotar os princípios do pacto global é um primeiro passo para potencializar a geração de “bons empregos”, no sentido amplo, nos quais os colaboradores podem alcançar as suas potencialidades. Recentemente aprovado, a Organizações das Nações Unidas (ONU) definiu o objetivo número 8, que trata de

Empregos dignos e crescimento econômico, que significa promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos.

Os bons empregos geram retornos positivos para a sociedade (melhores produtos ou serviços) e um crescimento sustentável para o país. A organização que gera “bons empregos” também se beneficia, pois a atuação dos seus colaboradores poderá resultar no crescimento da organização e no alcance da sua sustentabilidade econômica.

Portanto, os “bons empregos” não reduzem ou cessam durante dificuldades econômicas. Períodos como estes são uma oportunidade para a organização refletir sobre as suas práticas e iniciar o processo de transformação. A atuação dos profissionais que atuam com liberdade e podem utilizar suas competências, habilidades e atitudes éticas são fundamentais para superar a dificuldade enfrentada.

Assim, em tempos de instabilidade econômica é ainda mais urgente que sejam gerados “bons empregos”, pois são estes que garantirão o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável. Não existe a relação, imaginada por muitos, de que os bons empregos são decorrentes do crescimento econômico. Mas sim, o crescimento econômico é decorrente da existência de bons empregos, que auxiliam na construção de uma sociedade mais justa e humana.

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